SAC ou PRICE: a escolha que pode custar (ou economizar) um apartamento
Imagine que você acabou de fechar um financiamento de R$ 400 mil, prazo de 30 anos, taxa de 10% ao ano. Se escolheu SAC, sua primeira parcela fica em torno de R$ 4.400 — mas lá pelo décimo ano já caiu para uns R$ 3.100. Se escolheu PRICE, a parcela começa em R$ 3.500 e fica assim até o último mês. Parece pouca diferença? No final das contas, o PRICE pode custar mais de R$ 200 mil a mais em juros. É o preço de um segundo imóvel. E muita gente só descobre isso depois que o contrato está assinado.
SAC: parcelas que aliviam com o tempo
O nome é técnico — Sistema de Amortização Constante — mas a ideia é simples: todo mês você abate o mesmo pedaço da dívida. Como o saldo devedor encolhe mais rápido, os juros vão caindo junto, e com eles a parcela. No começo pesa mais no bolso, mas é aquele esforço que compensa: mês a mês você vê a prestação diminuir. Se a sua renda hoje comporta esse começo mais apertado, o SAC é quase sempre o caminho mais econômico.
PRICE: previsibilidade que tem um custo
Na Tabela PRICE, a parcela é a mesma do primeiro ao último mês. Confortável de planejar? Com certeza. Mas existe um detalhe que pega muita gente de surpresa: nos primeiros anos, quase tudo que você paga é juro. A dívida real mal se mexe. É só lá pelo meio do contrato que a amortização começa a ganhar força. Essa lentidão no início é o que faz o total de juros ser bem mais alto do que no SAC.
Na prática: quanto a diferença pesa no bolso
Pense em R$ 400 mil financiados em 30 anos a 10% ao ano. No SAC, você paga cerca de R$ 700 mil ao todo. No PRICE, esse número passa de R$ 900 mil. São mais de R$ 200 mil de diferença — dinheiro suficiente para mobiliar o apartamento, trocar de carro ou até dar entrada em outro imóvel. A explicação é uma só: no SAC, cada real que você paga a mais no começo é um real que deixa de render juros contra você.
A TR: aquele detalhe que pouca gente presta atenção
A Taxa Referencial é um índice do Banco Central que corrige o saldo devedor do seu financiamento todo mês. De 2018 pra cá ela ficou zerada ou quase isso, então muita gente esqueceu que ela existe. Mas ela pode voltar a subir — e quando sobe, suas parcelas sobem junto, em ambos os sistemas. Nosso simulador puxa a TR atualizada direto da API do Banco Central, então você sempre simula com o número real.
Afinal, qual escolher?
Se o seu orçamento aguenta a primeira parcela do SAC sem aperto, vá de SAC. Você vai pagar menos juros, vai se livrar da dívida mais rápido em termos reais, e ainda ganha aquela sensação boa de ver a parcela cair todo mês. É a escolha de quem quer economizar no longo prazo.
Agora, se a parcela inicial do SAC compromete demais a sua renda — ou se você sabe que seus ganhos vão crescer nos próximos anos — o PRICE dá mais fôlego no começo. Também é a opção quando o banco exige parcela fixa para aprovar o crédito. Não é a mais barata, mas pode ser a mais realista pro seu momento.
Os números mudam bastante dependendo do valor, da taxa e do prazo. Simule com os seus dados na calculadora acima e veja exatamente o que muda no seu caso.